quarta-feira, 25 de março de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
Herberto Helder - Mulheres correndo, correndo pela noite
Mulheres correndo, correndo pela noite.
O som de mulheres correndo, lembradas, correndo...
como éguas abertas, como sonoras
corredoras magnólias.
Mulheres pela noite dentro levando nas patas
grandiosos lenços brancos.
Correndo com lenços muito vivos nas patas
pela noite dentro.
Lenços vivos com suas patas abertas
como magnólias
correndo, lembradas, patas pela noite
viva. Levando, lembrando, correndo.
É o som delas batendo como estrelas
nas portas. O céu por cima, as crinas negras
batendo: é o som delas. Lembradas,
correndo. Estrelas. Eu ouço: passam, lembrando.
As grandiosas patas brancas abertas no som,
à porta, com o céu lembrando.
Crinas correndo pela noite, lenços vivos
batendo como magnólias levadas pela noite,
abertas, correndo, lembrando.
De repente, as letras. O rosto sufocado como
se fosse abril num canto da noite.
O rosto no meio das letras, sufocado a um canto,
de repente.
Mulheres correndo, de porta em porta, com lenços
sufocados, lembrando letras, levando
lenços, letras - nas patas
negras, grandiosamente abertas.
Como se fosse abril, sufocadas no meio.
Era o som delas, como se fosse abril a um canto
da noite, lembrando.
Ouço: são elas que partem. E levam
o sangue cheio de letras, as patas floridas
sobre a cabeça, correndo, pensando.
Atiram-se para a noite com o sonho terrível
de um lenço vivo.
E vão batendo com as estrelas nas portas. E sobre
a cabeça branca, as patas lembrando
pela noite dentro.
O rosto sufocado, o som abrindo, muito
lembrado. E a cabeça correndo, e eu ouço:
são elas que partem, pensando.
Então acordo de dentro e, lembrando, fico
de lado. E ouço correr, levando
grandiosos lenços contra a noite com estrelas
batendo nas patas
como magnólias pensando, abertas, correndo.
Ouço de lado: é o som. São elas, lembrando
de lado, com as patas
no meio das letras, o rosto sufocado
correndo pelas portas grandiosas, as crinas
brancas batendo. E eu ouço: é o som delas
com as patas negras, com as magnólias negras
contra a noite.
Correndo, lembrando, batendo.
Herberto Helder
nas portas. O céu por cima, as crinas negras
batendo: é o som delas. Lembradas,
correndo. Estrelas. Eu ouço: passam, lembrando.
As grandiosas patas brancas abertas no som,
à porta, com o céu lembrando.
Crinas correndo pela noite, lenços vivos
batendo como magnólias levadas pela noite,
abertas, correndo, lembrando.
De repente, as letras. O rosto sufocado como
se fosse abril num canto da noite.
O rosto no meio das letras, sufocado a um canto,
de repente.
Mulheres correndo, de porta em porta, com lenços
sufocados, lembrando letras, levando
lenços, letras - nas patas
negras, grandiosamente abertas.
Como se fosse abril, sufocadas no meio.
Era o som delas, como se fosse abril a um canto
da noite, lembrando.
Ouço: são elas que partem. E levam
o sangue cheio de letras, as patas floridas
sobre a cabeça, correndo, pensando.
Atiram-se para a noite com o sonho terrível
de um lenço vivo.
E vão batendo com as estrelas nas portas. E sobre
a cabeça branca, as patas lembrando
pela noite dentro.
O rosto sufocado, o som abrindo, muito
lembrado. E a cabeça correndo, e eu ouço:
são elas que partem, pensando.
Então acordo de dentro e, lembrando, fico
de lado. E ouço correr, levando
grandiosos lenços contra a noite com estrelas
batendo nas patas
como magnólias pensando, abertas, correndo.
Ouço de lado: é o som. São elas, lembrando
de lado, com as patas
no meio das letras, o rosto sufocado
correndo pelas portas grandiosas, as crinas
brancas batendo. E eu ouço: é o som delas
com as patas negras, com as magnólias negras
contra a noite.
Correndo, lembrando, batendo.
Herberto Helder
Susumu Yokota & Rothko - Distant Sounds Of Summer
Susumu Yokota & Rothko - Distant Sounds Of Summer
1.Deep In Mist 0:00
2.Waters Edge 4:26
3.Path Fades Into Forest 8:49
4.Lit By Moonlight 14:38
5.Brook And Burn 20:13
6.Sentiero 25:20
7.Clear Space 30:27
8.Reflections And Shadows 35:43
9.Distant Sounds Of Summer 40:35
10.Floating Moon 45:46
https://youtu.be/K4qb6cPBlhE
segunda-feira, 23 de março de 2015
Half Moon Run - Dark Eyes
Half Moon Run - Dark Eyes
Canadá, 2012
1. Full Circle 0:00
2. Call Me in the Afternoon 3:01
3. No More Losing the War 6:05
4. She Wants to Know 10:02
5. Need It 14:13
6. Give Up 17:40
7. Judgement 21:30
8. Drug You 24:35
9. Nerve 28:22
10. Fire Escape 31:40
11. 21 Gun Salute 34:36
https://youtu.be/dIYOxxz9YFg
Half Moon Run - Full Circle
All photos © Tim Georgeson.
Half Moon Run - Full Circle
Cap off kneeling at the back of the church,
Feeling water on your brow, if it’s healing it hurts
At first a sharpish pain that returns as a thought
That the needle in your skin will bring you closer to god
And I watch as your head turns full circle
Our hope was with a coffee and a medical text
It’s too easy knowin’ nothing blowing off the rest
And the riddles in the pages leave at too much to guess
And the worry cracks a fracture from your hip to your chest
As I watch as your head turns full circle
We got lost in the travels in the spiritual book
Missed the beaches from nirvana and the way that they look
And the crooks they’re on the island they’re killin’ to keep runnin'
They’re running severance on the plastic and it seems to be working
Is that the best that I can do?
As I watch as your head turns full circle
You appear even tempered though your looks will deceive
And the sparks are always flying cause you drink for relief
With the heart of a child and the wit of a fool
It’s a wonder why I don’t try to build a wall around you
When I watch as your head turns full circle
And I watch as your head turns full circle
Yeah I watch as your head turns full circle
https://youtu.be/azV0Y7v6wsg
de tanto inclinares o corpo para o medo tropeçaste
nesse quarto vermelho que trazes no peito. suspeito
de crimes desmesurados nele cometidos escritos
a meia-luz com metade dos teus dias. deixa apenas
um pouco menos de silêncio à porta e espera por mim.
abrirei as mãos para te revelar o fim da história.
pedro jordão
nesse quarto vermelho que trazes no peito. suspeito
de crimes desmesurados nele cometidos escritos
a meia-luz com metade dos teus dias. deixa apenas
um pouco menos de silêncio à porta e espera por mim.
abrirei as mãos para te revelar o fim da história.
pedro jordão
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