quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ler ... Jorge Amado




"Pastoreávamos a noite como se ela fosse um rebanho de moças, e a conduzíamos aos portos da aurora com nossos cajados de aguardente, nossos toscos bordões de gargalhadas.
E, se não fôssemos nós, pontais ao crepúsculo, vagarosos caminhantes dos prados do luar, como iria a noite - suas estrelas acendidas, suas ...esgarçadas nuvens, seu manto de negrume -, como iria ela, perdida e solitária, acertar os caminhos tortuosos dessa cidade de becos e ladeiras? Em cada ladeira um ebó, em cada esquina um mistério, em cada coração nocturno um grito de súplica, uma pena de amor, gosto de fome nas bocas de silêncio, e Exu solto na perigosa hora das encruzilhadas. Em nosso apascentar sem limites, íamos recolhendo a sede e a fome, as súplicas e os soluços, o estrume das dores e os brotos da esperança, os ais de amor e as desgarradas palavras doloridas, e preparávamos um ramalhete cor de sangue para com ele enfeitar o manto da noite."


Jorge Amado, em "Os Pastores da Noite" 
A crise, é uma crise de consciência. Uma crise que não pode mais aceitar as velhas normas, os velhos padrões, as antigas tradições. E, considerando o que o mund...o é hoje, com toda a miséria, conflito, brutalidade destrutiva, agressão, e por aí fora... o Homem continua a ser o que era. Ainda é brutal, violento, agressivo, aquisitivo, competitivo. E, construiu uma sociedade dentro destas linhas.
- Jiddu Krishnamurti

Goldfrapp - Felt Mountain


Goldfrapp - Felt Mountain

00:00 01. Lovely Head
03:49 02. Paper Bag
07:57 03. Human
12:31 04. Pilots
17:01 05. Deer Stop
21:07 06. Felt Mountain
25:24 07. Oompa Radar
30:07 08. Utopia
34:24 09. Horse Tears

https://youtu.be/iKAsuvwDP_Q

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Stars Of The Lid - A Meaningful Moment Through A Meaning(less) Process


Stars Of The Lid - A Meaningful Moment Through A Meaning(less) Process
  https://youtu.be/s7WhYN7-544

Stars Of The Lid - ...and Their Refinement of the Decline


Stars Of The Lid - ...and Their Refinement of the Decline
1. Dungtitled (in A major) 0:00
2. Articulate Silences part 1 5:54
3. Articulate Silences part 2 11:18
4. The Evil That Never Arrived 16:56
5. Apreludes (in C sharp major) 22:01
6. Don't Bother They're Here 25:45
7. Dopamine Clouds Over Craven Cottage 35:56
8. Even If You're Never Awake 41:51
9. Even (Out) + - 51:12
10. A Meaningful Moment Through a Meaning(less) Process 56:03
11. Another Ballad for Heavy Lids 1:00:36
12. The Daughters of Quiet Minds 1:05:09
13. Hiberner Toujours 1:18:31
14. That Finger on Your Temple is the Barrel of My Raygun 1:20:20
15. Humectez la mouture 1:25:25
16. Tippy's Demise 1:30:56
17. The Mouthchew 1:39:15
18. December Hunting for Vegetarian Fuckface 1:42:56

https://youtu.be/et_lDyRymrw

APARIÇÃO



Grandes Livros - "Aparição"
(Vergilio Ferreira)

«A história passa-se numa família burguesa de uma pequena cidade, mas não se trata de "cenas da vida privada" nem de "cenas da vida de província". (...) Esta narrativa liga-se mais à tradição do romance "de aprendizagem". O professor novato que acaba de ser colocado no liceu de Évora, o seu primeiro local de ensino. A memória da sua infância, da sua terra, do seu pai morto, ainda pesa bastante sobre ele. Julga ter finalmente encontrado a sua verdade; quer anunciar aos outros a boa nova que lhe foi revelada pela experiência da repentina "aparição" da sua presença em si próprio. Mas o apóstolo ingénuo leva a tragédia àqueles que o acolhem; descobre as diversas formas do mal e do sofrimento; reconhece os limites estreitos da sua condição. Tropeça na incompreensão do médico piedoso, do proprietário estroina, do engenheiro ateu, do reitor demasiado prudente. Consome-se no desejo fantasioso pela demasiado jovem Sofia, no sonho luciferiano do seu aluno Carolino, que perverteu a sua mensagem. Ana, a esposa sensata e estéril, será a única capaz de o seguir, Cristina, a fada musical, criança-prodígio que já está, ela sim, muito para além; ela ultrapassou-o, voa sobre o caminho por que ele se arrasta; mas ela acaba por morrer de morte violenta, como Sofia, como o velho camponês cujos filhos são recolhidos por Ana depois do seu suicídio. A Alberto só lhe resta partir de novo. Os seus esforços para comunicar com os outros foram em vão. Queria levar-lhes a verdade, mas foi ele quem porventura aprendeu com eles o sentido da sua vida. Aquele ano em Évora terá sido uma iniciação. Talvez lhe faltassem aquelas provações para chegar, finalmente, à idade adulta.
A acção enlaça-se e desenlaça-se, na pequena cidade, apenas num ano escolar, ritmada pelas estações; e tudo é visto pelo olhar único do personagem-autor, Alberto Soares. Mas esta unidade de acção, de lugar, de tempo e de ponto de vista desmultiplica-se em sequências sucessivas, com retrocessos e deslocações do campo da memória, E esta estrutura fragmentada, com desnivelamentos de momentos e lugares, mas onde tudo converge para um centro invisível, como o ponto de fuga de uma perspectiva, pelo efeito de simetrias e de invocações dos mesmos motivos, que define a forma do romance. Alberto faz a sua narrativa muito tempo depois dos acontecimentos; situa-os num passado definitivamente concluído, que ele relembra para reencontrar o sabor, o rumor, o sentido, através de um trabalho de memória que é o próprio romance enquanto se faz. Mas o narrador fala também no presente, nos dois textos em itálico que enquadram a narrativa, escrita na sua casa de campo actual. E a memória remonta, por vezes, a um período anterior aos acontecimentos narrados, ao da morte do pai, na quinta familiar da Beira. (...)
Teve, com a morte do pai, a intuição súbita daquilo que é ser-se, ocupar o seu ser, sentir-se vivo entre vivos. Foi a meditação da morte que lhe deu a chave da vida. Esta experiência iluminadora é uma alegria e um sofrimento, pois abre ao ser humano um vasto espaço de liberdade, ao mesmo tempo que o faz tocar os limites da sua condição. É este o preço do acesso a uma vida autêntica, em que o homem poderá reconquistar aqui em baixo toda a sua grandeza recentemente extraviada na imaginação do divino.»

Robert Bréchon
prefácio à edição francesa de Aparição, in revista Ler

Cícero - "Sábado"


Cícero - SÁBADO
01 - Fuga nº3 da Rua Nestor - 00:00
02 - Capim-Limão - 02:46
03 - Ela e a Lata - 05:41
04 - Fuga nº4 - 08:06
05 - Pra Animar o Bar - 11:25
06 - Por Botafogo - 14:04
07 - Duas Quadras - 18:15
08 - Asa Delta - 20:41
09 - Porta, Retrato - 22:40
10 - Frevo Por Acaso - 25:28

https://youtu.be/SI_beIFsjCU