«Dizer: Fazer»
Entre o que vejo e digo,
Entre o que digo e calo,
Entre o que calo e sonho,
Entre o que sonho e olvido
A poesia.
Desliza entre o sim e o não:
diz
o que calo,
cala
o que digo,
sonha
o que olvido.
Não é um dizer,
mas um fazer.
Um fazer
que é um dizer.
A poesia
diz-se e ouve-se,
é real.
E mal eu digo
é real,
dissipa-se.
É mais real assim?
Ideia palpável,
verbo
impalpável,
a poesia
vai e vem
entre o que é
e o que não é.Tece reflexos
e destece.
A poesia
semeia olhos na página,
semeia palavras nos olhos.
Os olhos falam,
as palavras olham,
os olhares pensam.
Ouvir
o pensamento,
ver
o que dizemos,
tocar
o corpo
da ideia.
Os olhos
fecham-se.
Abrem-se as palavras.
Octavio Paz. Decir:Hacer, a Roman Jakobson.
(Tradução de Albino M.)
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terça-feira, 7 de julho de 2015
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Arturo Benedetti Michelangeli Concert in Lugano,1981
"A
linguagem corresponde não às necessidades materiais do homem, mas à paixão e à
imaginação: não foi a fome, e sim o amor, o medo ou o assombro que nos fizeram
falar. O princípio metafórico é o fundamento da linguagem. (...) Uma das
funções centrais da poesia é mostrar-nos o outro lado das coisas, o maravilhoso
quotidiano: não a irrealidade, mas a prodigiosa realidade do mundo."
Octavio
Paz, em "Os filhos do barro".
Beethoven Sonata № 12 op.26 00:00 Sonata № 11 op.22 20:41
Schubert Sonata a moll D 537 47:27
Brahms 4 ballades op.10 1:12:38
https://youtu.be/Zf3xHZrcjPg
quarta-feira, 17 de junho de 2015
OCTAVIO PAZ - Piedra del Sol
OCTAVIO
PAZ
MÉXICO (1914-1998)
TRADUÇÕES DE FLORIANO MARTINS
PEDRA DO SOL
La treizième revient… c’est encor la première;
et c’est toujours la seule – ou c’est le seul moment;
car es-tu reine, ô toi, la première ou dernière?
es-tu roi, toi le seul ou le dernier amant?
GÉRARD DE NERVAL, Arthémis.
Piedra de sol [Poema: Texto completo.]
http://www.ciudadseva.com/textos/poesia/ha/paz/piedra_de_sol.htm
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Silêncio
Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça ...
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.
Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
(Tradução de Luis Pignatelli)
(Tradução de Luis Pignatelli)
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